A Comissão de Valores Mobiliários recebe o 1º Seminário Sobre Clubes de Futebol: A Lei da SAF e o Mercado de Capitais. Em princípio, o tema parece distante da realidade dos clubes de futebol de Santa Catarina. Mas será que é adequado manter distância dessa discussão e das novas formas – mais modernas, transparentes e eficientes – de gestão de clubes?
O futebol brasileiro passa por um momento de transformação. Clubes como o Cruzeiro, campeão da Série B, e o Botafogo saíram na frente. Hoje, recebem investimentos e, principalmente, adotam ferramentas modernas de governança.
Claro que não existem soluções mágicas e há que se ter precaução e responsabilidade. Certo, porém, é que o investimento em clubes de futebol por meio de mercado de capitais é uma novidade que veio para ficar.
Aqui em Santa Catarina o debate precisa envolver todos os atores. Clubes, Federação, torcedores, associados e imprensa precisam enfrentar o tema. Em que pese integrarmos um estado reconhecido no meio empresarial por mão de obra qualificada e elevados índices de produtividade, encontramos em seu tamanho geográfico e populacional barreiras que afetam e se reproduzem no futebol.
Se outrora nos destacamos no cenário nacional, viveremos em 2023 a experiência da ausência de representantes na elite do futebol. Seremos meros coadjuvantes na disputa. São vários os motivos para o baixo rendimento desportivo que nos afasta da elite.
Possível fazer um paralelo com a atividade empresarial. Imagine uma pequena companhia tem uma grande ideia, um excelente produto, uma qualificada prestação de serviços. O empreendedor, porém, não consegue organizar o negócio para receber investimentos ou crescer. O futuro do negócio, inescapável em um mercado cada vez mais competitivo, será a extinção – ou, no melhor dos casos, a estagnação. Aumentar de tamanho, receber investimentos e mudar de patamar é essencial. Este é o dilema dos clubes catarinenses. Qual o tamanho queremos e devemos ter?
A discussão sobre mercado de ações e futebol se dá nesse sentido. É preciso capacidade de investimento, organização e tamanho para que verdadeiramente haja geração de receitas para montagem de bons times. Santa Catarina precisa crescer para competir no cenário nacional. Cabe a nós a busca da atualização para que o debate ganhe corpo e, com ele, nossos times cresçam preparados para o futuro que já chegou.
Tullo Cavallazzi Filho – OAB 9.212
Advogado
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